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CONTOS DA CABROCHINHA

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CONTOS DA CABROCHINHA, de Shirleny Luz é um livro ágil, mas de leitura nem tão tão fácil, porque emocionante, e de profundidade insuspeitada. Alternando entre estilos poéticos e prosaicos a autora atua – em seu doze contos - com diligência no imaginário do mundo infanto-juvenil, descrevendo uma realidade nem sempre possível de ser encarada, em quaisquer idades, sendo necessária negá-la ou recriá-la pelo viés tosco do discurso ou pela mão insegura da fantasia. Leia o trecho e confira:
"O equilibrista ainda se segura na corda pendurada. Há um coelho dando vida a seus filhotes. Os filhotinhos vão saindo e vão andando como maria-mole. Eles vão deixando o corpo de sua mãe e vão caminhando sorrateiramente pelo chão do terreno. Arrastam-se em suas formas gelatinosas. São corpos vermelhos e amolengados que a menina vai furando com a ponta de seu palito afiado. Os corpos se desmancham antes de chegarem à cartola do homenzinho que está de pé em frente para eles. Seus corpinhos desmanchados vão deixando poças vermelhas pelo chão. Há poças vermelhas por todos os cantos do terreno. A menina com seu palito de picolé afiado continua sacrificando seus bichinhos.
Através do meu segundo olho percorro a amplitude do terreno e encontro ainda mais livros espalhados no chão. Ainda não sei o que ela irá recortar...
Passei meu dia de Cosme e Damião no terreno, com minha mochila vazia, pensando nos meus amigos, mas sem me distrair nunca da menina do asfalto, que diante dos meus olhos corria pelo terreno dando gargalhadas. E que sentada com seus brinquedinhos ensanguentados dizia:
Eu brinco."
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O livro traz o prefácio de Eliana Yunes, Professora de Teoria Literária e especialista em Literatura Infanto Juvenil. Diferente dos textos do gênero, a autora não apela nem para as descrições chocantes ou para as moderações pedagógicas. Não traz nenhuma mensagem nem tenta passar qualquer viés moral. Não escancara realismos pós-modernos nem quer escandalizar o leitor desavisado com uma violência gratuita, e ainda mais aberrante porque infantil. Não, aqui é literatura, pura literatura. Seu texto é o viés do mundo nem tão inocente que não possa saber o que realmente acontece, nem tão adulto, que não se obrigue a negar ou cobrir com os véus da fantasia. Sua linguagem é moldável a cada situação, contexto, viés infantil, variando por espécies estilísticas com segurança e expondo sem arrogâncias uma poética fiel ao princípio de que inspirações e ideias são modeláveis, originais e libertadoras, enquanto ideologias, só servem a si mesmas.

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